Após a tempestade

Enfrente e em frente: a resiliência

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Qual deles você escolheria ser: o forte e imponente carvalho ou o singelo bambu? Se você escolheu o carvalho, eu o convido a reconsiderar a sua opinião. Saiba que o bambu tem muito para te ensinar.

A grande lição do bambu

O carvalho pode até ser alto, forte e rígido. Mas quando chega o vento forte adivinhe quem será derrubado para nunca mais levantar-se?

O bambu também se deita até o chão com o vento forte. Porém, por ser flexível e resistente, o vento não consegue quebrá-lo. Ao cessar o vendaval, o bambu se ergue de volta ao seu lugar.

Bambus ao vento
Em outras palavras, o bambu se adapta. O carvalho não. O bambu volta revigorado. O carvalho arruinado.

Chamamos resiliência à habilidade que as pessoas apresentam de recuperar-se após crises ou traumas. É a capacidade de adaptação frente a perdas ou adversidades.

Ser resiliente é ser bambu. É deixar-se conduzir momentaneamente pela adversidade, dobrando-se frente às pressões, sem quebrar, para depois retomar o bem-estar.

João, um brasileiro

Maestro João Carlos Martins
João Carlos Martins, pianista brasileiro internacionalmente reconhecido é um exemplo ímpar de resiliência.

Aos 25 anos, sofre um acidente que provoca a atrofia de três dedos da mão direita. Volta ao piano após um longo período de fisioterapia, desenvolvendo uma técnica própria, adaptada a sua condição.

Aos 55 anos, é agredido na cabeça durante um assalto, o que lhe provoca uma sequela neurológica que atinge a sua fala e o uso do braço direito. Consegue recuperar-se e voltar ao piano, tocando com as duas mãos.

Com o passar do tempo, é acometido de uma doença muscular no braço esquerdo que não permite mais que toque o piano como antes.

Dedica-se então à regência, tornando-se maestro. Para isso precisa memorizar as partituras (cerca de 5 mil páginas por ano!) para não precisar virar as páginas durante as apresentações.

Gente resiliente

Você também deve conhecer exemplos, dentro do seu círculo familiar ou social, de pessoas que mesmo após uma grande adversidade ainda conseguiram dar a volta por cima e sair bem da situação.

Certa vez, durante uma conversa de corredor, um colega de trabalho me revelou a regra que ele usa no seu dia-a-dia para lidar com as situações estressantes: “Nunca se desesperar.” Ou seja, respirar, manter a calma, não agir por impulso e analisar as suas opções.

É justamente essa a essência da resiliência: otimismo, capacidade de encontrar alternativas e manter o controle emocional mesmo diante de situações desconfortáveis e estressantes.

Compare. A pessoa com alto nível de resiliência:

  • Responsabiliza-se pelo que acontece em sua vida;
  • oportunidade no desafio;
  • Encara suas opções com otimismo;
  • Estabelece metas;
  • Tem um sentido maior para a sua vida e coloca os acontecimentos em perspectiva.

Já os não-resilientes:

  • Pensam mais no passado que no futuro;
  • Diante do problema, se perguntam: “Por que eu?”;
  • Diante do inesperado, questionam: “Por que logo agora?”;
  • São negativos;
  • Gastam energia pensando nas causas do problema e não nas soluções;

Um raio-x da resiliência

Estudos mostram que a resiliência é composta de vários fatores.

Vou agora apresentar quais são. Aproveite para fazer uma avaliação de como você está em relação a cada um deles.

De 0 (=nunca) a 10 (=sempre), que nota você se dá nos quesitos abaixo?

  • Autoconfiança: o quanto você acredita que é capaz de encontrar saídas em momentos de crise e conflito?
  • Otimismo: encara o mundo e a vida em geral positivamente?
  • Equilíbrio: você mantém a cabeça no lugar em situações estressantes, evitando agir por impulso?
  • Empatia: você é capaz de colocar-se no lugar do outro, sentindo como o outro e importando-se com os impactos que seus atos possam causar aos demais?
  • Competência Social: você é capaz de articular e obter apoio de seus contatos sempre que necessário?
  • Proatividade: você toma a iniciativa e age em situações incertas e de risco?
  • Flexibilidade Mental: você busca saídas alternativas e criativas para situações do dia-a-dia?
  • Solução de problemas: você é capaz de encontrar e propor alternativas para solução de impasses?
  • Tenacidade: você persiste mesmo diante de situações extremas?

Aumente seu nível de resiliência

A resiliência pode ser aprendida, reforçada e praticada. Três dicas:

  • Enfrente situações adversas “sem desespero”. Os primeiros seis segundos são muito importantes. Mantenha a calma, assuma a responsabilidade e confie nas suas próprias capacidades;
  • Veja os obstáculos como desafios e sempre comemore suas conquistas, por mais pequenas que possam parecer;
  • Escolha pessoas resilientes como seus modelos e imite-os. Faça como eles. Pense como eles.

Conclusão

Lembre-se de não esquecer: você pode desenvolver um alto nível de resiliência.

Medite regularmente nas lições do bambu. Não se desespere diante de situações inesperadas e estressantes.

Qual a história mais impressionante de resiliência que você conhece?

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2 comentários sobre “Enfrente e em frente: a resiliência

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